As casas em que morei, depois de casada. A primeira era na baixada do Glicério. Eu odiava aquela casa. Era lá na rua Helena Zerrener. A minha casa ficava em frente a um enorme prédio de mais ou menos 200 apartamentos, ou seria apertamentos? As pessoas que habitavam àquele edifício, eram todas malucas, ou doentes. Todos os dias, eu via elas jogando todo tipo de objeto na rua, das janelas de seus apertamentos. As vezes eu pensava...será que estão tristes? E assim jogando as sujeiras de suas casas, ficam mais felizes!
E quando chovia? Era um caos, o lixo ficava acumulado nos bueiros, e atrapalhava o escoar da água. E a água não conseguia descer para os bueiros, e todos sofriam. Os que jogavam o lixo, e os outros que não tinham nada a ver com aquilo.
Certa vez, estava chovendo muito, e eu voltava pra casa. Era noite, estava frio, e eu estava grávida de seis meses. Parei um pouco esperando a aguá abaixar, porém estava demorando muito, e eu estava com muito frio, não tive dúvida, resolvi enfrentar a enchente. Eu tenho 1.63 de altura. A água chegava na minha cintura. Era uma água preta com cheiro de esgoto, eu estava apavorada, e chorava, e amaldiçoava aquele lugar. Atravessei vagarosamente a rua, morrendo de medo de cair naquela água suja. A chuva já havia parado, porém a água não baixava. Finalmente cheguei no predio em que morava. Entrei no apartamento e corrí para o banho. Precisava lavar o corpo, tirar aquele cheiro insuportável. Passei tres natais naquele lugar. Nunca esquecerei o sofrimento daquela casa.
Quase morrí! Sim, uma certo dia estava eu passando roupa na sala, e derepente resolvi parar e dormir. Só sei que ouví um estrondo na tampa da radiovitrola. Levantei, e qual não foi a minha surprêsa, quando encontrei um projetil de revólver. Fiquei desesperada. Meu marido naquela época estava trabalhando na General Motors do Brasil. Fomos procurar saber de onde havia vindo o tiro, o síndico falou que no prédio em frente, aconteceu uma briga, e alguém atirou. Tudo bem, pelo menos ninguém queria me matar!
Meu marido trabalhava a noite, lá em São Caetano dos Campos. Um dia quando voltava pra casa, foi abordado por assaltantes, bateram nele, e muito, porque não tinha dinheiro para dar, pisaram em cima dos seus óculos quebrando... só de raiva, e maldade. O pior é que o pobre míope de pai e mãe, quase não consegue chegar em casa.
Eu tinha uma amiga querida. Ela morava na mesma rua, e sempre vinha me visitar. Um dia ficou doente e morreu.
Lá naquela casa também passei por maus pedaços, a Nádia ficou doente. Ficamos três dias indo e vindo de hospitais e nada era resolvido. Minha filha com 1ano e 6 meses apresentava os seguintes sintomas: dor abdominal, diarréia, vômito, febre alta e tosse seca. Eu a levei no instituto da Criança, lá no Hospital das Clínicas, três dias seguidos. Por ser funcionária do hospital, eu acreditava que seríamos melhores cuidadas. Porém...os pediatras de lá falavam o tempo todo a mesma coisa! Mãe dá soro caseiro pra menina! Ela está desidratada! E eu falava, como vou dar soro, se ela vomita tudo que entra! Mais eles não me ouviam. No terceiro dia cansei e fui em busca de outro serviço médico. Ela ficou em um hospital lá na Liberdade, hoje nem me lembro o nome. Só sei que lá ela chegou toda molinha, mal respirava. Fizeram imediatamente um raiox, descobriram que a coitadinha estava com pneumonia, puncionaram uma veia, instalaram soro, e falaram que ela ficaria internada até melhorar, não me deixaram ficar ao lado da minha filha. Eu só poderia visitar e sair. Todos os dias eu saía chorando, por não poder ficar com ela. Afinal era uma UTI infantil.. A febre não cedia, e eu cada vez mais triste. Tinha medo de perder a minha filhinha. Minha companheira das idas e vindas do trabalho. Depois de 5 dias ela ainda não havia melhorado, más, após 15 dias de antibioticoterapia, ela estava de alta. E foi a minha maior alegria. A levei para casa. E no outro dia, lá fomos nós felizes e juntinhas para o HC. Eu saía as 600horas da manhã de casa todos os dias. Trabalhava das 7 as 12horas, tinha horário especial, pois fazia o curso de auxiliar de enfermagem. Abraçadinha com a minha baby, e as duas mochilas nas costas, pegávamos o coletivo na liberdade que passava no Hospital das Clinicas.
Quanta coisa triste passei naquela casa. Estava na hora de procurar uma nova casa. E como sempre eu tinha que encontrar a casa sozinha. E encontrei uma casinha, lá no bairro da Casa Verde Alta. Mudamos. Ufa!!!
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