Descrição da casa. A casa era dividida em cômodos. Cada cômodo morava uma família. Era uma casa bem grande com um quintal em volta. Hoje eu sei que aquilo poderia ser um cortiço. Verina estava grávida de seis meses. Seu marido já era alcólatra e sempre que chegava em casa, não perdia a mania de maltratá-la. As vezes ele corría toda extensão do quintal atras de Severina,, tentava alcansa-la com uma vassoura. Ela corría em volta da casa até que uma alma boa, de uma das casas a salvasse de seu algoz. Seu marido era um carrasco, mais ela de alguma forma gostava, ou tinha medo de ficar sem marido.
Enquanto isso, sua filha nenê com 5 anos de idade chorava, sofría muito vendo a vida difícil da mãe.
E chegou o dia, que Severina começou a sentir as dores do parto. Gemia muito, acho que era uma dor insuportável, andava pra lá e pra cá. Como Dedé não estava em casa, ela pediu o auxílio dos vizinhos. Ligaram para uma ambulância. E a ambulância chegou gemendo como Verina Úóóóóóóóóó! A filha nenê ficou com uma vizinha, e Verina foi levada para o hospital. Dois dias depois Verina chegou com aquele menininho no colo. Ah, ele era tão bonitinho, tão fortinho, tão engraçadinho. O menininho chorava muito, e ficava o tempo todo sugando as mamas cheias de leite de Verina. Seu marido ao ver o menininho, ficou numa felicidade incontida. Ao menino, deram o nome de José Roberto. Nenê adorava cuidar de Beto assím ela o chamava. E ele foi ficando cada vez mais bonito e fofo. Quando Beto havia completado seis meses de idade, Verina já saía pra trabalhar, e deixava o menino sobre os cuidados de Nenê. A menina brincava com Beto, fingía que o bebê era seu filho, e o menino dava boas gargalhadas com as palhaçadas de Nenê. Certo dia Nenê ao colocar o bebê no colo o deixou escapar, e:_ Pumba no chão! Beto sofreu um traumatismo na região frontal, ficou com um galo, na testa. Verina quando chegou e viu aquele galo na cabeça do bebê, deu uns cascudos na filha.
_ Onde se viu, deixar o minino cair!

Oi mãezinha, saudades da senhora. Mãe, sabe o que mais me lembra a senhora a hora de dormir, e sabe por quê? Você rezava pra todos de nossa família, eu me lembro que você rezava para cada filho, e na hora da oração você falava cada nome. Mãe muitas vezes tenho tanta saudades, me sinto tão culpada por nao ter pego você e trazido pra minha casa. Mãe aquele dia que você me ligou e disse que estava sofrendo, disse que estava doente, eu não acreditei, sabe mãe, você reclamava tanto, que eu não sabia quando acreditar em você. Mãe, lembra quando saí do plantão e fui tomar café na sua casa? Você estava tão feliz. Mãe eu pareço com você, sabe que tem dias que canto durante todo o tempo que lavo as roupas! Mãe tá doendo, ta doendo muito as saudades! Mãe queria tanto te ver, nem que fosse em sonho! Sabe mãe você tinha medo de certas coisas que estão acontecendo com a nossa família, mãezinha você tinha razão! Mãe a Ana está bem! Conta pra mim, como está a minha querida irmã Vera Lúcia? Fala pra ela mãezinha que a filhinha dela, sabe tudo sobre e ela, e que eu vou ajudar, pra que ela vença no amor de Deus, mãe, sabia que a Ana é muito caridosa? Onde você estiver, que esteja na paz de Cristo!
Vinda da fome, onde a única constante em minha vida era a falta de de comida, a coisa que mais me lembro eram os almoços na casa da Dona Albina, uma senhora, que pra mim foi um dos seres humanos que tanto respeitei e que jamais esquecerei. Aos domingos na casa dela o almoço eram bons demais, nhoque era a comida que que ela era mestre em fazer, pra mim, era a melhor aozinheira do mundo. A comida era cheirosa, dava vontade de comer só de sentir o cheirinho. Eu era adolescente e adorava ficar vendo a senhora Albina cozinhar. Eu era acompanhante de Dona Maximina. Eu ganhava pra ficar cuidando da idosa, porém quando esta estava no descanso, lá corría eu para a cozinha, ficava ajudando, uma hora eu lavava verduras, outras lavava o arroz, e algumas vezes dona Albina deixava eu cozinhar, o arroz, feijão, fritar um ovo. Dona Albina me ensinou a comer verduras. Quando saí lá do Jardim Ângela bairro onde morava a minha família, nunca comíamos legumes e verduras. Eu conhecia bem arroz, feijão e farinha, mais na casa da Dona Albina eu aprendí a comer bem. Ela me ensinou muitas coisas boas. Nos dias de hoje minha filha fala que sou a melhor cozinheira, eu afirmo se ela comesse a comida da dona Albina ela mudadria de idéia.
Porém quando recebí o primeiro salário do Hospital das Clínicas fui a loucura, fiquei tão feliz que não sabia nem bem o que fazer. Então comprei roupas para os filhos, sapatos e meias para mim, comprei também o meu uniforme de atendente de enfermagem, e quando cheguei em casa, só tinha dinheiro para pagar água, luz, e fazer as compras do mês. Atrasei o aluguel, nossa, tamanha doidice eu fiz no primeiro mês. Depois mandaram a minha cesta-básica, caramba...eu nunca havia visto tanta comida! Eu filha da fome quando abrí a caixa de alimentos até chorei de tanta felicidade. No mês seguinte me chamaram e me ofereceram um talão de cheque, um não dois. _ Mamamia eu vou endoidecer de vez! Saí como uma alucinada, nunca havia pego na mão um talão de cheques! Eu não pensava! Todas as vezes que precisava pagar algo, eu preenchia uma folha do talão de cheques e me sentia a Deusa do dinheiro. O pior de tudo era que não fazia contas, não sabia que o talão de cheques era o meu dinheiro que ainda não havia recebido, e quando ocorresse eu não teria mais dinheiro pra nada. Bem então as coisas foram piorando, e nada melhorava, e o banco Santander me chamou e me deu o primeiro empréstimo, o começou o meu inferno. Só sei dizer que estou no décimo empréstimo, estou negativada no SPC. Será que existe brasileiros que estão na mesma situação que eu? Um dia saio disso! Pelo menos agora estou conseguindo receber 70% do meu salário. Eu falo agora, eu não quero nunca mais empréstimo, nem do Santander, nem do Banco do Brasil, eu acredito que minha vida financeira está horrível e devo á esses dois bancos. Sairei desse inferno só em 2014, não aceito que nenhum banco me ofereça dinheiro, nunca mais!
Era uma vez uma cadelinha muito simpática que atendia pelo nome de Wanderléia. Essa cachorrinha, foi encontrada na rua. Um senhor totalmente bêbado a encontrou, e a levou pra casa. A cadelinha foi crescendo e com os cuidados de Nenê, Beto, Carlos e Vera. Eram crianças, filhos da fome e da tristeza, que a cachorrinha servía para alegrá-los em seus dias.
Quem diria, que ela iria sobreviver? E ficou linda! Minha princesa. Minha maior alegria