Eu fiquei vários anos morando e cuidando da Dona Maximina, o salário era mínimo, mais eu coitada (Filha da Fome) nem me preocupava com isso. O problema foi que fiquei uns 17 anos com a família sem registro na carteira, más na época, eu também não me importava. Chegou um momento que não dava mais pra continuar cuidando dela na Vila Carrão, ela não ficava dentro de casa, a todo momento saia pra fora, já estava ficando ruim da memória, não se lembrava nem mais, quem era eu. Os filhos nos levaram para morar na casa deles. Eles eram casados com as mulheres mais maravilhosas do mundo. A dona Maria espôsa do filho de dona Maximina, fazia a melhor comida que alguém poderia comer. E os doces? E as compotas? A dona Albina além de ser funcionária pública da Secretaria da Fazenda, era uma pessoa maravilhosa. A dona Albina me ensinou tudo que eu sei e um pouquinho mais. Na casa da dona Albina, lá na Bela Vista eu ficava cuidando da vó, assim eu a chamava depois de um tempo. Eu também ajudava a dona Albina na cosinha, e observava tudo o que ela fazia com atenção. Nessa convivência aprendi muitas coisas, a falar, a comer, a me vestir. Ela foi uma ótima professora. Certa vez ela preparou um belo almoço e eu me recusei a comer. Ela insistiu pra que eu comesse, porém eu não queria. Á noite a mesma coisa eu não quis comer. Ela me chamou e disse: come menina, você não pode ficar sem comer. Então delicadamente ela me pediu para explicar qual era o problema. Então chorando mostrei meus dentes para ela. Estavam todos cariados. Os dentes do fundo cabia um caroço de feijão, e como doía! Eu disse a ela que estava com vergonha de falar, porque o meu salário não ia dar para o dentista, então resolvi parar de comer. Dona Albina no dia seguinte me levou ao dentista, e trataram meus dentes em um mês. Minha boca ficou ótima. Que vida boa! Ai eu comia e comia. Na casa da dona Maria na vila Olimpia tinha uma goiabeira que eu adorava. Sempre que eu tinha um tempinho, subia lá no galho mais alto e ficava meditando. Eu e a dona Maximina passeávamos todos os dias pelo quintal. Minha mãe era diarista na casa. Na sexta-feira era dia de faxina, e á tarde a vó ficava na sala com a dona Maria e eu ajudava minha mãe a lavar o quintal. Em frente á casa da dona Maria tinha um rapaz que eu paquerava. Eu tinha uma paixão platônica. Adorava lavar o quintal e ficar olhando para aquele lindo rapaz moreno de cabelos enroladinhos. Quando minha mãe terminava de limpar toda a casa. Partia para o Jardim Angêla, bairro que eu não tinha nem mais vontade de ir. E assim seguia a minha vida. Um mês na vila Olímpia, e o outro na Bela Vista. A gente morava na rua Santo Amaro, pertinho da Praça da Bandeira. Do décimo andar eu paquerava o Anhagabaú. Que vista maravilhosa! Que sonho! Comida boa o dia todo, avó não dava mais tanto trabalho, pois a dona Albina também ajudava a cuidar dela, e eu a auxiliava com o trabalho da casa. Um belo dia eu resolvi estudar. E pedi pra dona Maria, ela me disse que eu não poderia, pois quem cuidaria da vó? Então fui procurar uma escola e depois comuniquei que iria estudar. Ela não falou nada. Tudo bem. Quando fomos passar mais um mês na casa da dona Albina, eu pedi pra ela. E e assim comecei a estudar. Eu naquele momento só tinha a terceira série do ensino fundamental. Então resolvi me esforçar, e lia o dia todo. Quando a vó ia dormir eu estudava matemática, português, um pouquinho de ciências, só sei que a escola me deu uma prova e eu fui muito bem. me colocaram na quarta série do ensino fundamental. E me esforcei tanto, que era a melhor aluna da classe. Terminei o Ensino Fundamental. Á noite dava o jantar da vó, escovava a sua dentadura da arcada inferior. E partia para a escola que ficava lá na rua São Joaquim, na Liberdade. E assim por muitos anos.
A minha intenção é falar da minha vida. Contar tudo o que me lembro desde a minha infãncia, até os dias de hoje. A vida passa e você esquece quase tudo. Entre um intervalo e outro, vão acontecendo, coisas que vale a pena relatar. Para as pessoas de sua família, para àqueles que te acham exemplo de vida. Ou simplesmente para que, entreis na imortalidade.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
O trabalho.
Falavam: essa menina precisa trabalhar! Então arrumaram um emprego pra mim. Ajudante de expedição, lá no prédio da Gazeta. Eu não tinha registro de nascimento, com Atestado de Pobreza, minha mãe foi ao cartório e fez o registro de nascimento, aproveitou da situação e aumentou a minha idade em 2 anos, pois assim eu poderia trabalhar. E lá fui eu toda feliz. Quem arrumou esse emprego foi o meu tio Romão, que tinha conhecimento com o povo daquele lugar. Trabalhei uns três meses, me demitiram. Eu adorava subir e descer as escadarias da Gazeta. Parecia louca. Hoje avalio que eu era criança pra trabalhar naquele momento. Por causa de tantos problemas em casa, pedi pra minha mãe me arrumar um emprego na casa das patroas dela. Então a sorte chegou. Com 13 anos de idade lá fui eu trabalhar de doméstica. Era acompanhante de uma velhinha. Levantava as sete horas, preparava o café da manhã, colocava a mesa e chamava a Dona Mininha para tomar café. Ela era uma velhinha bem baixinha e magrinha, bem bonitinha. Eu tinha um quarto lindo pra eu dormir. Todos os dias tinha cinco refeições. Era o céu comer bem e dormir bem. Só tinha que cuidar da casa e fazer companhia pra linda anciã. E o tempo passava.
O Baile.
Tinha 13 anos de idade, ah, tempo de músicas lindas. O Elvis Presley era o meu ídolo. Uma amiga da escola me convidou para ir á um baile. E ficava na rua atrás da minha casa. Pedi pra minha mãe. Ela deixou, mais me explicou: vá, mais volte antes da meia noite se não teu padrasto chega, e te bate. Respondi: tá bem mãe! Eu volto. E assim fui...a a festa estava boa. Era o aniversário de um amigo da minha amiga. Naquele tempo, quando tinha uma festa ia tudo quanto é gente da região. Eita!! Tinha tantas coisas boas pra comer, eu estava me esbaldando. Depois, a música também era maravilhosa. Parecia que eu estava no céu. Esqueci as horas. Um tio, veio até mim e me aconselhou; vai pra casa que já é uma hora da madrugada, teu padrasto vai te matar! Eita pensei... já que vou morrer mesmo vou curtir até acabar. E assim fiquei até o fim do baile. Fui pra casa as tres horas da manhã. Chegando em casa, meu padrasto me esperava. Nem bem coloquei os pés dentro de casa, aquele peste começou a me bater, primeiro bateu com fio o do ferro de passar roupas, depois como não estava satisfeito, pegou a vassoura e quebrou batendo em mim. Minha mãe não conseguiu parar o peste. Bateu muito. fiquei toda cheia de hematomas, os olhos ficaram com um enorme edema periorbital. A testa doía. Meu corpo todo dolorido. Minha tia Ana foi quem conseguiu fazer o peste parar de me bater, porém eu estava com muito ódio no meu coração. Eu odiava tanto ele, que o meu sonho agora era que o desgraçado morresse o mais rápido possível. Eu não conseguia pensar em outra coisa. E jurei: nunca mais ele vai me bater. Nunca mais vou apanhar! E Foi a última surra.
Na Segunda Casa...
Fomos morar no Jardim Angêla , bairro bem pobre, da zona Zul. Em 1970 eu tinha 11 anos de idade, e já tinha tantas obrigações. Minha mãe ainda trabalhava de diarista, meu padrasto ainda ficava bêbado, todos os dias. Eu ficava em casa o dia inteiro, cuidando dos meus irmãos que agora eram 5. Minha mãe aguardava a vinda do sétimo filho. O nosso banheiro era feio. Ficava lá no quintal, parecia uma casinha; dentro tinha um buraco imenso que foi cavado pelo Dedé (meu padrasto) e umas tábuas uma em cima da outra, colocadas de uma maneira ...bem de qualquer jeito...ficava um buraco que era para desprezarmos as nossas funções fisiológicas. A noite não havia luz no quintal. Eu tinha medo de ir no banheiro. Na verdade, tinha medo de cair no buraco de detritos. O cheiro era nojento, muito fétido. e todas as vezes que eu tinha que ir lá, me sentia muito mau. Não tínhamos agua encanada. No quintal também havia um poço artesiano, onde nós, para beber água, precisavámos, tirar do poço com um balde, puxando por uma manivela. Eu tirava água para dar banho nos meus irmãos, para fazer comida. O chão da cozinha era de terra batida, ainda bem que não precisava lavar. Eu lavava as louças com água do poço. Enfim, para fazer qualquer coisa tinha que retirar a água do poço. Imagine uma criança tendo tanta coisa pra fazer. Muitas vezes eu ficava na rua brincando de corda, mamãe polenta, de mãe rica e mãe pobre. Brincava até corrida. Quando estava perto da minha mãe chegar do trabalho: lá ia eu correndo arrumar a casa, lavar as louças e dar banho nos meus irmãos. Uma vez meu cachorro caiu no poço. Foi muito triste. Eu chorava pois acreditava que ele estava morto, porém;ao gritar: Bidú! Bídú! O coitadinho começou a latir dentro do poço. Que alegria! Agora tinha que convencê-lo a entrar no balde pra puxá-lo pra cima. Ficávamos eu e o Beto e o Carlos gritando: entra cachorro bobo, dentro do balde. E ele dentro do poço, latia feito um alucinado, e nada de entrar no balde. Tive uma idéia: Descer meu irmão lá pra baixo. Conversei com ele. E pedi pra ter cuidado, não se afogar, e assim foi. Quando meu irmão chegou lá dentro do poço, ele pôs o cachorro no balde e eu puxei para cima. Depois com a ajuda de alguns meninos do bairro puxamos também, o meu irmão. Que medo! Que dia! Bem, e como se não bastasse tudo isso , meu padrasto ao chegar ainda por qualquer coisa batia na minha mãe.Certa vez depois de um ataque de fúria começou a dar socos na minha mãe. Eu peguei uma garrafa e bati nas costas dele. O danados e virou com tudo e me deu um socasso e fui parar na parede. Depois do nada o peste dormia.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Meus A nimais de Estimação
- Certa vez, ganhei um cachorrinho que se chamava Bidú. Era um caozinho preto e muito alegre. me seguia por todos os lugares onde eu ia. As vezes meu padrasto me mandava ir á venda comprar pão. Antes porém ele cospia no chão e dizia: se o cuspe secar e você não chegar, vai apanhar pra aprender! E lá ia eu e o cãozinho correndo como um foguete. E rezava pelo caminho, para o cuspe não secar. E graças, chegava á tempo de encontrar o cuspe ainda no chão, pelo menos o residuo. Meu padrasto não podia ver os animais namorando, que chingava e dava pauladas nos coitados. Uma vez ele trouxe pra casa uma linda cachorrinha, que o mesmo deu o nome de Vanderléia. Pobre animal! Apanhava sempre, quando o Capetão chegava bêbado dava cada chute na coitada! Eu e o meu irmão Beto ficávamos assustados. Meu padrasto era esquisito quando estava bêbado descia um espírito mal nele, pelo menos minha mãe falava isso. Tínhamos uma gata, não me lembro o nome dela, mais quando ela começava a gritar em cima do telhado, meu padrasto ficava doido. Um dia ele colocou a gata dentro de um saco e me mandou eu jogá-la do barranco. Eu a levei até o barranco, e retirei do saco e lá a deixei. Não tive coragem... Pela manhã a gata apareceu em casa e ele só não me bateu porque eu corrí. Teve uma certa vez que ele chegou bêbado, como sempre e cheio de ódio. Eu e meus irmãos estávamos brincando com os cachorros no quintal. Ele mandou a gente pra dentro de casa e falou fechar os ouvidos. Escutei um grito de dor da minha cachorra. Eu falei pra minha mãe. Mãe! Mãe o que ele está fazendo com a Vanderléia? Minha mãe não sabia o que falar. Eu abraçava o meu irmão e chorava. O grito foi horrível, o desgraçado matou a cachorra com a enxada, pois segundo ele ela era uma vagabunda, que ficava fazendo senvergonhice com os cachorros da vizinhança. Esse foi um momento dolorido da minha vida, ao escrever essas linhas não consigo conter as lágrimas que brotam de meus olhos.
Pedaços do sofrimento.
- E eu esqueci de dizer, que antes de saber como preparar, uma galinha...coloquei agua no fogão para ferver. Peguei a galinha e falei pra ela que eu tinha que cozinhá-la, se não meu padrasto ia me bater. Chorei olhando nos olhos da galinha. Tentei colocar a galinha na água quente, ela pulou para o chão, e saiu correndo. Saí desesperada atrás dela, a mesma cacarejava e corria frenéticamente pelo quintal. Depois de muito correr consegui pegá-la. E assim, a levei para a minha vizinha Dora, que cortou o pecoço da galinha e me deu. Fui pra minha casa. Peguei a galinha e coloquei na agua quente, e assim a depenei. Após retirar todas as penas limpei bem, e tentei cortá-la nas articulações, porém não ficou bem. Ao cortá-la explodi uma parte que minha mãe chamou de fel.[ Amargo como fel] Coloquei a galinha no fogo, aos pedaços, temperei com muito alho, cebola, sal a gosto que pedi emprestado á vizinha. Bem, só sei que quando experimentei a galinha o sabor era terrível. Muito amargo. [Amargo como fel]. Bem fui na vizinha pedi mais alho, cebola e coloquei no intuito de conseguir melhorar o sabor; porém não teve jeito. A galinha ficou ruim de comer. Quando minha mãe chegou eu falei o que tinha acontecido. Meu padrasto chegou muito bêbado, não conseguia nem ficar em cima das próprias pernas, mais pediu pra comer a galinha, e mesmo bêbado, sentiu o amargo. Falou que ia me bater, mis como estava, mais pra lá, do que pra cá, desistiu. no outro dia minha mãe riu com a estória da galinha que tentou fugir.
Continuação
- E a vida seguia, um dia ruim e o outro também. Fui crescendo no meio de brigas, dor e fome. Havia dias que se minha mãe não fosse trabalhar, a gente não tinha o que comer. Ficávamos o dia todo tomando água com açucar para matar a fome. Esperava desesperada que minha mãe voltasse, para eu comer algo que acabasse com a minha fome. Ficamos nessa vida... e minha mãe ia tendo um filho por ano. Depois do Beto, veio o Carlos, a Vera, a Cida e assim a vida seguia de mal para pior. Meu padrasto seguia bebendo muita pinga e brigando todos os dias em casa. Uma vez por mês tinha carne. Minha mãe trabalhava de diarista. O dinheiro do dia dava pra comprar: 1kg de arroz, 1kg de feijão, uma lata de óleo, 1 padra de sabão, 1 kg de açuçar. Em nossa casa agora as coisas eram piores. Morávamos em dois cômodos, pequenos e cheio de fendas na parede. Á noite, o medo assolava a minha alma. Havia baratas pelas paredes. Nosso banheiro era um matagal próximo da casa. Eu ficava em casa cuidando dos irmãos pequenos, enquanto minha mãe ia trabalhar. Tadinha, naquele tempo que não me recordo direito a data, só me lembro do sofrimento. Minha mãe trabalhava doente, tinha uma ferida na perna que não sarava, mesmo assim...trabalhava o dia todo, limpando casa de gente rica. na minha cabeça de menina triste e filha da fome, qualquer pessoa que tinha uma casa, televisão, geladeira, e um quarto decente para dormir era rica! Meu padrasto oras trabalhava e ajudava minha mãe, oras tomava todo o dinheiro de pinga. Minha mãe sempre chorava. Eles tinham momentos bons, quando o mesmo não estava bêbado! Me lembro, que em certa ocasião...minha mãe foi trabalhar e eu estava em casa, brincando com as crianças da vizinha. Nossa brincadeira era jogar pedra ....eles na minha casa e eu na casa deles. E de repente meu padrasto chegou e foi falando: O que você tah fazendo? Sua vagabunda! Não precisa nem dizer o que aconteceu...ele investiu contra mim e bateu muito com um fio de ferro. Bateu muito, fiquei toda machucada e com marcas pelo corpo.O desgraçado bateu até ficar cansado. Depois saiu...foi pro bar beber mais. quando minha mãe chegou do trabalho falei pra ela. E foi outra briga quando se encontraram á noite. aiiiii eu não aguentava aquela vida...fome e maus tratos. Minha mãe continuava a apanhar dele. Eu pedia á minha mãe para arrumar um emprego pra mim, podia ser de doméstica eu não ligava, o que eu queria era uma boa cama e comer bem todos os dias. Ahhhhh eu adorava televisão, adorava ir na casa das patroas da minha mãe. Lá comia coisas boas e nutritivas. Uma outra coisa que eu adorava era ajudar os vizinhos...eles sempre davam algo para eu comer. As vezes eu sonhava. Um dia vou me casar com um homem bom e vou ter uma casa com dois quartos, e vou ter uma televisão e uma geladeira. Meu sonho era pobre. Assim como a minha triste vida! Um certo dia, eu estava em casa brincando com meus irmãos. nem vi quando o capeta chegou. E foi dizendo: Trouxe uma galinha e tu vai cozinhar. Eu vou alí no bar, e quando voltar...quero essa galinha pronta! Meu Deus! pensei. E agora? Eu não sei matar. Coitadinha da galinha! E agora? Fui na casa da minha vizinha e pedi pra ela matar a galinha, pedi também explicação. Como fazer uma galinha...
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Continuação
- Houve um dia em que meu padrasto chegou mesmo nervoso. E mais que de repente, eu corri pra minha cama e cobri cabeça. E ouvi! Tô cum fome muié! Pensei: ichiiii o capeta chegou! Minha mãe sempre fazia tudo o que podia pra agradá-lo, mais nada estava bom pra ele. Uma hora reclamava que a comida estava muito quente....outra que estava muito fria, outra que queria comer carne, outra que queria comer ovo, enfim nada estava bom. Chegava todos os dias bebado e com vontade de encrencar. E como minha mãe era muito passiva não falava nada ele aproveitava. Nossa casa era situada em um terreno grande. A casa era grande com vários cômodos e em cada um morava uma família. Eu podia correr ao redor da casa. Naquele fatídico dia meu padrasto chegou bravo, meu irmão chorava muito. Eu sai da cama e peguei meu irão no colo. Minha mãe aprontou um prato de comida pra ele, e o mesmo como sempre, jogou tudo no chão, alegando que estava fria, Minha mãe esquentou uma nova comida e o mesmo comeue foi dormir. Eu peguei uma tampade panela e comecei a bater brincando com meu irmãozinho. Só percebi que o peste havia levantado da cama, quando levei uma tremenda cacetada na cabeça. Era assim mesmo, eu nem sabia porque estava apanhando. Apanhava por qualquer coisa. Minha mãe apanhava quase todos os dias. Muitas vezes ela corria por toda a extensão do quintal para não apanhar, ele corria com uma vassoura ou qualquer pedaço de pau para bater nela. Os vizinhos, as vezes entravam no meio da briga, e não deixavam o meu padrasto bater nela. Nessa época minha mãe trabalhava como doméstica. Esse é um pedaço da minha infãncia tem muito mais pra contar. Meu padrasto era alcólatra. Bebia todos os dias. Quando estava sóbrio era bonzinho...mais quando estava bebado,,,cruz credo!
Minha Vida!
Minha vida se resume em mais dor do que alegria. Dor pelas tristezas que a vida me trouxe. Quando eu nasci, acredito que o predestino já estava determinado. Lembranças da infãncia: Menina com 5 anos de idade. Ficava em casa cuidando do meu irmão que tinha 8 meses. Minha mãe trabalhava o dia todo. Eu alimentava e cuidava do meu irmãozinho. ele era fofinho e sorria muito com as minhas brincadeiras. Quando ele dormia eu arrumava a casa. Minha mãe chegava as 19 horas do trabalho e trazia sempre alguma coisa para eu comer. Meu padrasto Dedé, esse era o seu apelido, o homem mais mau que conheci no planeta, pelo menos na minha cabeça de menina, com 5 anos de idade. Ele voltava do trabalho ou do inferno...era assim que eu imaginava. Me falavam o tempo todo que existia um Diabo que vivia no inferno e vivia para atormentar as pessoas. Eu acreditava que o meu padrasto era parente do Capetão e foi mandado para atormentar as nossas vidas. Minha mãe, não sei se o amava ou se pela propria miséria, precisava daquela peste. Quando ele chegava sempre gritava, Quero comer! Põe comida pra mim sua vagabunda! Minha mãe colocava arroz feijão e farinha, ele jogava tudo no chão e gritava: Quero carneee! e ela respondia:, Ai minha nossa senhora! Onde vou buscar carne? Homem, tu esta bebum, come e vai dormir. Não faz assim não, ai meu Deus! e a coitada começava a chorar. Eu no cantinho encolhida pensava: Por que essa peste não morre?
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