Falavam: essa menina precisa trabalhar! Então arrumaram um emprego pra mim. Ajudante de expedição, lá no prédio da Gazeta. Eu não tinha registro de nascimento, com Atestado de Pobreza, minha mãe foi ao cartório e fez o registro de nascimento, aproveitou da situação e aumentou a minha idade em 2 anos, pois assim eu poderia trabalhar. E lá fui eu toda feliz. Quem arrumou esse emprego foi o meu tio Romão, que tinha conhecimento com o povo daquele lugar. Trabalhei uns três meses, me demitiram. Eu adorava subir e descer as escadarias da Gazeta. Parecia louca. Hoje avalio que eu era criança pra trabalhar naquele momento. Por causa de tantos problemas em casa, pedi pra minha mãe me arrumar um emprego na casa das patroas dela. Então a sorte chegou. Com 13 anos de idade lá fui eu trabalhar de doméstica. Era acompanhante de uma velhinha. Levantava as sete horas, preparava o café da manhã, colocava a mesa e chamava a Dona Mininha para tomar café. Ela era uma velhinha bem baixinha e magrinha, bem bonitinha. Eu tinha um quarto lindo pra eu dormir. Todos os dias tinha cinco refeições. Era o céu comer bem e dormir bem. Só tinha que cuidar da casa e fazer companhia pra linda anciã. E o tempo passava.
Muitas coisas ainda tenho para expor, tudo saindo da caixa da verdade. Nada é ficção. Tenho revelações da minha vida que não podem ficar na incógnita. E meu sonho tem que se realizar. Ele é tão pequeno! Beijos
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