- E a vida seguia, um dia ruim e o outro também. Fui crescendo no meio de brigas, dor e fome. Havia dias que se minha mãe não fosse trabalhar, a gente não tinha o que comer. Ficávamos o dia todo tomando água com açucar para matar a fome. Esperava desesperada que minha mãe voltasse, para eu comer algo que acabasse com a minha fome. Ficamos nessa vida... e minha mãe ia tendo um filho por ano. Depois do Beto, veio o Carlos, a Vera, a Cida e assim a vida seguia de mal para pior. Meu padrasto seguia bebendo muita pinga e brigando todos os dias em casa. Uma vez por mês tinha carne. Minha mãe trabalhava de diarista. O dinheiro do dia dava pra comprar: 1kg de arroz, 1kg de feijão, uma lata de óleo, 1 padra de sabão, 1 kg de açuçar. Em nossa casa agora as coisas eram piores. Morávamos em dois cômodos, pequenos e cheio de fendas na parede. Á noite, o medo assolava a minha alma. Havia baratas pelas paredes. Nosso banheiro era um matagal próximo da casa. Eu ficava em casa cuidando dos irmãos pequenos, enquanto minha mãe ia trabalhar. Tadinha, naquele tempo que não me recordo direito a data, só me lembro do sofrimento. Minha mãe trabalhava doente, tinha uma ferida na perna que não sarava, mesmo assim...trabalhava o dia todo, limpando casa de gente rica. na minha cabeça de menina triste e filha da fome, qualquer pessoa que tinha uma casa, televisão, geladeira, e um quarto decente para dormir era rica! Meu padrasto oras trabalhava e ajudava minha mãe, oras tomava todo o dinheiro de pinga. Minha mãe sempre chorava. Eles tinham momentos bons, quando o mesmo não estava bêbado! Me lembro, que em certa ocasião...minha mãe foi trabalhar e eu estava em casa, brincando com as crianças da vizinha. Nossa brincadeira era jogar pedra ....eles na minha casa e eu na casa deles. E de repente meu padrasto chegou e foi falando: O que você tah fazendo? Sua vagabunda! Não precisa nem dizer o que aconteceu...ele investiu contra mim e bateu muito com um fio de ferro. Bateu muito, fiquei toda machucada e com marcas pelo corpo.O desgraçado bateu até ficar cansado. Depois saiu...foi pro bar beber mais. quando minha mãe chegou do trabalho falei pra ela. E foi outra briga quando se encontraram á noite. aiiiii eu não aguentava aquela vida...fome e maus tratos. Minha mãe continuava a apanhar dele. Eu pedia á minha mãe para arrumar um emprego pra mim, podia ser de doméstica eu não ligava, o que eu queria era uma boa cama e comer bem todos os dias. Ahhhhh eu adorava televisão, adorava ir na casa das patroas da minha mãe. Lá comia coisas boas e nutritivas. Uma outra coisa que eu adorava era ajudar os vizinhos...eles sempre davam algo para eu comer. As vezes eu sonhava. Um dia vou me casar com um homem bom e vou ter uma casa com dois quartos, e vou ter uma televisão e uma geladeira. Meu sonho era pobre. Assim como a minha triste vida! Um certo dia, eu estava em casa brincando com meus irmãos. nem vi quando o capeta chegou. E foi dizendo: Trouxe uma galinha e tu vai cozinhar. Eu vou alí no bar, e quando voltar...quero essa galinha pronta! Meu Deus! pensei. E agora? Eu não sei matar. Coitadinha da galinha! E agora? Fui na casa da minha vizinha e pedi pra ela matar a galinha, pedi também explicação. Como fazer uma galinha...
A minha intenção é falar da minha vida. Contar tudo o que me lembro desde a minha infãncia, até os dias de hoje. A vida passa e você esquece quase tudo. Entre um intervalo e outro, vão acontecendo, coisas que vale a pena relatar. Para as pessoas de sua família, para àqueles que te acham exemplo de vida. Ou simplesmente para que, entreis na imortalidade.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Continuação
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