Trabalhei em alguns lugares. Fui empregada doméstica, onde fazia quase tudo na casa ganhava um salário mínimo. Trabalhava o mês todo, as folgas eram a cada quinze dias. Fui ajudande de expedição de expedição lá no prédio da gazeta, fui atendente de crediário na Besni, fui auxiliar de escritório na Associação Brasileira de imprensa. Houve um emprego que foi o melhor de todos. Nesse eu podia trabalhar, me divertir e ainda ganhava. Trabalhei como babá da filha do procurador da república. O nome da menina era Priscila. Ela era uma menininha linda, loirinha dos olhinhos claros. O dr: Antonio Augusto me contratou para cuidar da filha e nos finais de semana, ou feriados, ou até mesmo nas férias me contratava para acompanhá-los em pequenas viagens até o litoral norte. Ele levava os filhos Rodrigo e Priscila e uma namorada. Eu ficava cuidando da filha dele, eu adorava brincar com a Priscilinha, a gente corria pela casa toda. A menina me tinha como amiguinha. Conhecí várias praias de Ubatuba. Eita lugar lindo! Se eu fosse rica acho que moraria lá. Durante a semana quando eu não estava em viagem cuidando da Priscila trabalhava como recepcionista no escritório de Antonio Augusto, lá na Liberdade.
Certo dia estava eu trabalhando no escritório quando atendí uma ligação de minha mãe. Ela estava desesperada e chorava ao telefone: _ Filha, pelo amor de Deus, você trabalha com advogado! Salva seu irmão, tira ele da cadeia!
Eu fiquei em pânico, afinal meu irmão querido, aquele que cuidei quando criança, aquele que troquei as fraldas...meu irmão preso? Como assim? Me explica! E minha mãe continuou:
_ Então minha filha, seu irmão estava no bar tomando uma cerveja junto com um homem que apareceu por lá, e a polícia chegou de repente... deu vóz de prisão. Beto pensou que era para o homem, más que nada, era pra ele também. O resultado foi que teu irmão tah preso, ninguém sabe onde, o minino está preso fais dois dias e eu estou em tempo de morrer de dô de cabeça de tanto pensá, filha, me ajude!
Bem...eu nem conseguímais fazer nada. Minha mãe desligou o telefone e comecei a chorar. Eu não conseguia nem falar tamanho era a minha tristeza. A secretária me deu um copo de água e pediu para que eu fosse falar com doutor Antonio. Entrei na sala dele soluçando. Ele se compadeceu de minha situação, pediu para que eu contasse tudo o que estava acontecendo. Expliquei tudo tim-tim por tim-tim. E ele deu ordem para a secretária ligar para todas as delegacias da região de Santo Amaro. E em uma delas achou o meu irmão. Ele conversou com o delegado, pediu informações sobre o meu irmão. Ele ficou sabendo que meu irmão, nunca havia tido problemas com a justiça, e que não participara do crime de roubo daquele indivíduo. O cara que havia assaltado um estabelecimento comercial. O coitado do meu irmão só estava na hora errada, no lugar errado, com a pessoa errada, e por esse motivo tinha sido confundido como cúmplice, do meliante. E só por isso, foi preso. Então o doutor Antonio deu ordem:_ Quero que soltem o rapaz imediatamente! Se ele não tem culpa não entendo o porque de vocês terem deixado ele preso por dois dias! O delegado explicou que meu irmão estaria lá para averiguações e que já estaria sendo solto, pediu para que alguém da família levasse os documentos dele. O doutor Antonio fez uma carta para que eu levasse ao delegado, responsável pela prisão de meu irmão.
Cheguei lá na delegacia, e meu irmão já estava circulando por lá como pessoa livre. Dei a carta para o delegado, o mesmo ficou todo engraçadinho. Me perguntou, como que eu conhecía um homem tão importante como o procurador da república. Após a entrega da carta e documentos levei o meu irmão pra minha mãe, que ficou muito contente. E disse: _ Graças a Deus que tua irmã trabalha com gente importante, sinão, tú tava era ferrado!
Sim, o Dr. Antonio Augusto sempre foi uma pessoa diferenciada, educada e ao lado das pessoas que gosta.
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