Colocava na panela os pedaços e adicionava vários temperos, deixava refogar bem e depois adicionava água, e a gente se esbaldava. Isso no tempo das vacas gordas.
Ah, esqueci de algo, antes de tudo, a galinha ficava amarrada pelos pés, embaixo da mesa. Eu sempre ficava conversando com ela. Depois minha mãe pegava a galinha amarrada pelos pés e colocava seus pés sobre as asas da mesma, e assim minha mãe cortava o pescoço da galinha, enquanto isso o sangue ia caindo dentro do prato. A galinha se debatía até morrer.
Minha mãe, como sempre tinha ido trabalhar. Ela ficava o dia todo fora. Meu padrasto era pedreiro trabalhava até as 16:00horas e chegava em casa por volta das 18:horas. Naquele fatídico dia ele chegou as 19:horas e com uma galinha debaixo do braço, e já foi ordenando: _Quero que tú faça, essa galinha! E aí de tú se não fizer direito, eu te arrebento!
Eu fiquei tremendo de medo, e pensei, como faria para cozinhar aquele frango?
Ele já estava um pouco bêbado, e saiu para beber mais pinga no bar. Fiquei as voltas com a galinha. O que fazer? Primeiro pús água na chaleira para ferver, depois, como não conseguí matar a galinha, pois tinha dó, fiz o pior, coloquei a pobre dentro da panela de água quente, e ela de um salto, caiu no chão e fugiu para o quintal. Eu e meus irmãos corremos feitos malucos atras da galinha, que espertamente fugia apavorada. Finalmente conseguimos pegá-la. e tive a idéia de levá-la para a minha vizinha Dôra. Ela mui gentilmente me salvou, matando a galinha de uma outra maneira, pegou-a pelos pés e destroncou-lhe o pescoço, rápidinho resolveu. Grande Amiga a Dôra!
Agradecí e levei a galinha pra casa. A água já estava fervendo a coloquei na panela de água fervente, e depenei direitinho, igualzinha a minha mãe. Depois cortei da melhor maneira possível, porém cometí um grave engano, estourei o fel da galinha. Acho que o fel é a bile da galinha. Então começou o meu desespero. Tentei, de várias meneiras limpar bem a galinha para sair o amargo, pena que não conseguí. Então achei que o que poderia me salvar era por tempero. Temperei o mais que pude, só que não tive sucesso, a galinha continuou amargando. E amargava como fel. Ficou muito ruim.
Quando minha mãe chegou ficou contente, por achar a galinha pronta, só que ao comer achou que estava péssima pra se comer. Brigou comigo, disse que não sabia como eu não havia aprendido a fazer uma galinha. Meu padrasto ficou uma fera, e só não me agrediu, pois estava impossibilitado, tal era o nível etílico em seu sangue. No dia seguinte, minha mãe teve jogar fora a galinha, pois estava ruim de comer aquilo!
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