domingo, 9 de setembro de 2012

Pobre Desse Jeito, Nunca Mais


                          Nenê ficava o dia todo em casa, cuidando dos irmãos. Nenê tem 9 anos ainda não chegou no terceiro ano primário, afinal de contas a menina não consegue ir todos os dias pra escola, tem que cuidar de seus irmãos e sofre pelos maus tratos de Dedé que não perde a mania de agredir gratuitamente a menina.
Severina segue sua vidinha, tendo um filho todo ano. Se Deus manda a gente cuida!
Nenê agora tem 10 anos está no segundo ano primário, com grande dificuldade consegue ler e escrever. Passa os dias cuidando de seus irmãos que passam fome e como ela sofrem com a vida dura. No quintal tem um poço artesiano. Eles puxam a água do poço pra tudo, pra tomar banho, lavar as louças e lavar as roupas. Nossa casa o chão era de terra batido. Tínhamos um cachorro pulguento tadinho, que vivia se coçando. Nós também acordávamos todos pintadinhos de sangue de pulga ou sangue nosso tirados pelas pulgas? A noite era um inferno, dormir alí era como se estivesse no caldeirão do capeta. A coceira nos matava. Era ruim demais!
 A menina Nenê, queria agradar a mãe, então lavava as roupas. E como os lençois eram grandes para as suas mãos pequenas, aprendeu com a vizinha que passando bastante sabão em barra nas roupas com sangue de pulga, e botando no sol pra quarar, as manchas saíam sozinhas, parecia mágica! Quem ensinou foi Dona Sebastiana, uma vizinha que gostava muito de Nenê. 
                 
 Ascaris Lombrigóides
Nenê quando criança tinha um abdôme proeminente. Estava cheínho de vermes. Eram lombrigas imensas, que passavam o tempo a atormentar as crianças. Beto, Carlos e Vera também sofriam com a verminose.
Quando a menina tentava dormir a noite, as lombrigas ficavam passeando, iam até perto da garganta e depois desciam. Certa vez ao acordar Nenê percebeu que a sua garganta tinha algo que coçava, era uma coisa chata, e ela vomitou, uma imensa lombriga branca, igualzinha a um fio de macarrão. Severina ficou assustada. E falou: _Meu Deus! Essa menina ta cheia de bicha! Tenho que dar remédio pra matá essas bichas!
Quando ficavamos com fome a coisa era feia! As lombrigas nos deixavam irritadas. Minha mãe falava que tínhamos que alimentar as lombrigas.
No dia seguinte Dedé fez uma batida de mastruz com leite e deu pra Nenê e os irmãos tomarem. Todos os dias ele preparava aquela bebida intragável e dava para os filhos. E foi assim que as lombrigas desapareceram de nossas barrigas e de nossas gargantas. Beto e Vera também passaram pelo sofrimento das lombrigas na garganta.
Muitas vezes, quando dava vontade de evacuar, a gente saía correndo pra mata ao lado. Não tínhamos banheiro. Lá, a gente se limpava com folhas mais macias das árvores, ou mesmo levava os jornais que vinham embrulhando as compras.

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