Estou em 1977, em casa de dona Maximina, estamos na sala sentadas assistindo o jornal, eu estou triste. Sinto saudades de minha mãe. Fazem três meses que não a vejo, as vezes não dá pra eu ir visitá-la. A senhora que cuido não pode ficar sozinha, afinal ela tem medo da solidão e da noite. Durante o dia me maltrata, a noite me trata melhor, acredito que é por causa do medo. Ela não quer ficar sozinha.
Outro dia me pediu para esquentar o café. Preparei um café fresco, coloquei á mesa, com margarina becel, pão de centeio, leite quente e pedí para que ela lavasse as mãos, para que pudéssemos tomar o café da manhã. Ela ficou demorando, e quando sentou a mesa o café estava frio. Eu disse a ela que, havia feito o café naquele momento. Ela falou rispidamente que o café estava frio, falei que não iria esquentar novamente, pois era a terceira vez que eu fazia aquilo, naquele mesmo dia. Ela jogou o bule no chão e disse:
Limpa! Eu te pago pra isso! Naquele tempo eu limpei, chorei. Hoje, acho que não aguentaria. Naquela época, filha da fome. Havia saído da casa de minha mãe por causa da fome. Eu precisava passar por aquilo, para poder estar aquí hoje.
Dizem que nada é por acaso. Pode ser
Engraçado as lembranças vêm e vão.
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