Quando era adolescente não pensava muito, não tinha o medo que tenho hoje. Com 16 anos eu nem me preocupava quando alguém fazia um convite pra passeio, aceitava e pronto, simples assim, ir pra qualquer lugar, claro, que sempre com responsabilidade. Não sei, acho que o meu sexto sentido me guiava. Se abacasse de conhecer alguém, e esse me convidasse pra uma viagem, lá ia eu.
Me lembro que estava em um ônibus em direção á cidade, quando conhecí um americano e o mesmo falava um português arrastado, mas dava pra entender, lógico. Então com 15 minutos de conversa, estávamos em direção a Sorocaba. Ele , a filha e eu, contentes, rezando e cantando, e pedindo carona.
Chegamos em Sorocaba, a noite, descemos de um caminhão de carona e entramos numa mata aparentemente fechada, no momento eu estava quase molhando as calças de paúra, porém ao longe em um caminhozinho vimos uma luz, e mais e mais começou a aparecer cabanas, tinha uma fogueira acesa e muitas pessoas cantando. Eram tipos bonitos, a maioria tinha olhos azuis e eram loiros, homens e mulheres. O trabalho deles era conseguir dos ricos para dar aos pobres, e viviam nesse tipo de vida, pra mim interessantíssimo. Alguns, saiam pedindo durante o dia, outros ficavam cuidando das cabanas e preparando as comidas para todos. Outros ensinavam as crianças, outros tocavam e cantavam. Ah, que vida linda! Pra mim aquilo era o céu! E eram respeitosos. As mulheres solteiras ficavam em uma cabana, os casados ficavam em outras. Fiquei apaixonada, queria aquela vida pra mim! Os que sairam para recolher roupas, chegavam a noite. No outro dia as mulheres lavavam e costuravam as roupas. No fim de semana todos iam distribuir as doações aos pobres. Eles tinham tudo o que precisavam. A vida era simples e feliz. Agora só faltava pedirem autorização a minha mãe. Que claro que não deixou. Fiquei uma semana com eles. Comíamos comida natural, cuidavamos de tudo e tudo era de todos. Nosso banheiro era a mata. Eu estava mais do que feliz.Comiam comida natural. Me sentia em casa. Tinham conhecido alguns brasileiros que se juntaram ao grupo, e como eu também estavam felizes. Tocavam e cantavam, suas vozes eram maravilhosas, pareciam anjos.
O meu único impasse, minha mãe. Ela ficou muito brava comigo quando o chefe do grupo foi pedir permissão para eu morar com eles. Minha mãe os expulsou de casa: _Onde já se viu, essa menina é doidinha meu Deus! Não vai e pronto. Minha mãe não quis assunto. Eu chorei muito, queria estar com aquela família feliz, viviam em uma vida simples, eram limpinhos, gostavam de tudo organizado. Uns ficavam em cabanas outros em traillers.
Sonho com eles, eu tocando violão e cantando em inglês, meus filhos correndo pela mata e se pendurando nos cipós como o Tarzan.
Nenhum comentário:
Postar um comentário