Aquele dia eu nem conseguí dormir, devido a ansiedade, por ter que esperar o dia da viagem. E chegou o grande dia. Bem na madrugada iam chegando o povo simples do Jardim Angêla, se arrumavam dentro do ônibus alugado para a excursão. Eu não inha maiô, e a Alcina me emprestou um velhinho. Eu nunca tinha ficado seminua perto de ninguém, e agora como seria? Eu teria que ficar de calcinha e sutiã perto de todo mundo, não entendia aquela coisa de roupa de banho, eu ficava bem esquisita com aquela roupa. Levei uma toalha velha pra me secar. Minha mãe não foi. Me deixou sob os cuidados de dona Lazinha.
Fomos cantando no ônibus, nossa alegria era tão imensa!
E depois de algumas horas naquele ônibus, chegamos em Santos, o caminho pra praia era engraçado, a cada lugar que eu via água comemorava achando que o ônibus iria parar. Quando o ônibus parou, eu e minhas amigas saimos em desabalada carreira, em direção ao mar.
Quando visualizei aquele mar imenso, fiquei abismada. Fui correndo até perto do mar, observei que não tinha adultos por perto, e tirei o vestido, já estava com a roupa de banho por baixo. Dei o vestido e a toalha pra minha amiga segurar e fui aos pouquinhos me familiarizando com a água do mar, fiquei feito boba pulando ondas, e de repente veio uma onda imensa e me derrubou, caí na água. E já de ínicio tomei um montão de água. Minhas amigas falaram que eu iria tomar toda a água do mar. Não gostei da brincadeira, eu quase me afoguei, e elas tirando sarro de mim. Naquele tempo falavam muito em sarro, tirar sarro disso, daquilo, etc...
Minha amiga Alcina e a Suía sua irmã, ficaram comigo. Brincamos bastante, aprendí a mergulhar. Fiquei o dia todo sob um sol de 33graus. Comí pouco o frango com farofa. Ficamos curtindo o mar, brincamos com a areia. Quem disse que pobre usa protetor solar? Acho que aqueles lá, nem sabiam o que era. O que passamos no corpo foi um óleo pra bronzear que nos emprestaram, na verdade ficamos foi torradas, em um único dia. Hove gente que brincando com a nossa desgraça falou que tomamos o Sol do ano todo em um único dia. E foi assim mesmo! Enquanto eu e minhas amigas brincávamos, jamais pensávamos que fôssemos ficar doentes após aquele dia. Digo, naquele dia a noite choraríamos, as dores das queimaduras pelo sol. E depois daquele dia minha mãe demorou, a me deixar sair novamente, já que dei muto trabalho na volta, apresentei, febre e cefaléia, meus ombros doíam muito, minhas faces ardíam, queimavam como pimenta ardida. E o pai da minha amiga Alcina quem nos apresentou o mar, ficou triste, pois o nosso sofrimento, era feio de se ver. Fomos outras vezes á praia, e sofremos tudo de novo, até eu crescer e apreender que sol não é brinquedo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário