A minha intenção é falar da minha vida. Contar tudo o que me lembro desde a minha infãncia, até os dias de hoje. A vida passa e você esquece quase tudo. Entre um intervalo e outro, vão acontecendo, coisas que vale a pena relatar. Para as pessoas de sua família, para àqueles que te acham exemplo de vida. Ou simplesmente para que, entreis na imortalidade.
sábado, 8 de setembro de 2012
Quando Virei Gente, Segundo Minha Mãe
Pedaços Da Vida De Pré- Adolescente
Em 1971 Severina resolveu fazer a menina virar gente. Até aquele momento a menina não tinha nome. Pobre, filha da fome, sem nome e sem documento.
Agora teria um nome. Severina foi ao cartório para tirar o registro de nascimento da menina. O problema é que pra tirar o registro de nascimento, teria que entrar com um Atestado de Pobrezaa, e foi o que ela fez. A escriturária perguntou: _ Nome? E Severina respondeu: Severina Galdino Rosa.
A mulher do cartório retrucou: _ Como assim? O nome da sua filha igualzinho o seu? E a atendente sugeriu: _ Que tal, Marcia Galdino Rosa!
Eu gritei:_ Isso, Isso! Eu gosto de Marcia!
Minha mãe me ingnorou, e disse:
_ Mais moça, esse nome foi uma premessa que fiz! Eu pedí pra São Severino dos Ramos me ajudar! É que sofrí muito no parto dessa fia!
A escriturária ponderou: _ Então porque a senhora não põe, Marcia Severina Galdino Rosa?
Então eu comemorei, bem baixinho, discretamente, pra minha mãe não desistir. Ah, esse sim! E dona Severina falou que estava bom. Que poderia ficar assim. E meu nome seria mesmo Marcia Severina Galdino Rosa. E naqule dia de 1971, ganhei um nome! O nome sugerido pela moça do cartório do Socorro. Marcia Severina Galdino Rosa, filha de Severina Galdino Rosa
Filha De Severina Galdino Rosa e pai ignorado.
_ Ah...isso eu não gostei, odiava quando tinha que apresentar o meu documento a alguém e apresentava aquele Registro com aquela tarja em verde e amarelo escrito bem no meio. Atestado de Pobreza. E a minha vergonha era também o pai ignorado. Ah...isso também era vergonha! Mais finalmente eu tinha um nome. Em breve eu teria também identidade.
Aos 13 anos tratei de perder o registro de nascimento para que a sorte me desse outro, sem aquela maldita tarja verde- amarela, e assim eu pudesse fazer a minha identidade. Como minha mãe queria que eu trabalhasse para ajudar em casa, me ajudou a tirar oum novo documento alteraram a minha idade para que eu pudesse trabalhar. Entrei na Gazeta como Atendente de Expedição. Fiquei três meses mais ou menos, não me recordo. Depois fui pra casa de uma parente da patrôa de minha mãe. Trabalhei como, empregada e acompanhante de uma senhora idosa. Fiquei com ela de 1976 a 1980.
Depois a senhora morreu. Fiquei dois anos cuidando da casa da neta da velhinha que havia falecido. Depois fiquei um pouco como recepcionista da ABI( Associação Brasileira de Imprensa) e mais tarde fui ser babá da filha do Procurador da República.
Em 1985 conhecí o meu marido José Carlos da Silva e me casei em 1988.
Em 1989, entrei no Hospital das Clínicas, lá terminei o meu Ensino Médio, Ganhei o curso de Auxiliar de Enfermagem. E trabalho até os dias de Hoje.
Em 2010 ganhei do Estado o curso Técnico de Enfermagem. Estou caminhando. Espero chegar mais longe.
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