Severina foi uma mulher que nasceu pra sofrer, muitas vezes chorava, e não tinha ninguém para confortá-la. Eu do seu lado me sentia a pessoa mais triste do mundo. O Dedé era uma homem doente. Havia dias que chegava em casa e caía na cama de tão bêbado, todavia se houvesse qualquer barulho, acordava e dava safanões em Marcia. Ele dizia que ela não era sua filha, e batia na menina por qualquer coisa. A mãe não podia fazer nada, pois apanhava quase todos os dias. Ele porém quando estava sóbrio era bom. As vezes a família comia carne. No começo do mês comíamos carne de segunda, porém a única comida que tínhamos era feijão, arroz e farinha de mandióca. Isso é, quando tínhamos. A fome era uma constante em nossas vidas.
Com o passar dos anos quando Márcia tinha 10 anos de idade e sua mãe não estava em casa, era ela quem cuidava de tudo. Era ela quem puxava a água do poço, para fazer a limpeza da casa, e dar banho nos pequenos...Beto, Carlos Vera e Naldo, que vida desgraçada era aquela! Além de passar fome, e trabalhar como se fosse uma adulta, ainda vivia apanhando. Mais um dia acabou.
Ah, um dia Marcia foi visitar sua família, e o progresso havia passado por lá. A Sabesp! Adeus poço!
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