sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Poço

Hoje Marcia tem 52 anos. Há 45 anos no bairro de Santo Amaro, Jardim Santa Lúcia não hávia água encanada na casa de Severina. Ela era uma mulher muito pobre, morava em um barraco, e para lavar as roupas, pra cozinhar, ou tomar banho era preciso puxar água no poço. Seus filhos eram muitos, Marcia, Beto, Carlos,Vera e Reginaldo. Dona Severina trabalhava de doméstica e ganhava por dia. Marcia era a filha mais velha, ficava em casa e cuidava dos irmãos menores. A menina ainda com seis anos de idade ficava em casa e tinha a obrigação de cuidar de Beto seu irmão por parte de mãe. Seu marido O Dé era um beberrão, todas as noites chegava em casa totalmente ébrio, e parece que só sabia brigar. Severina fazia tudo pra agradar seu marido. Ele porém nunca ficava satisfeito, brigava se tinha comida, quando não tinha brigava também, batia em Severina quando a comida estava quente, e se estivesse fria, jogava tudo no chão.
Severina foi uma mulher que nasceu pra sofrer, muitas vezes chorava, e não tinha ninguém para confortá-la. Eu do seu lado me sentia a pessoa mais triste do mundo. O Dedé era uma homem doente. Havia dias que chegava em casa e caía na cama de tão bêbado, todavia se houvesse qualquer barulho, acordava e dava safanões em Marcia. Ele dizia que ela não era sua filha, e batia na menina por qualquer coisa. A mãe não podia fazer nada, pois apanhava quase todos os dias. Ele porém quando estava sóbrio era bom. As  vezes a família comia  carne. No começo do mês comíamos carne de segunda, porém a única comida que tínhamos era feijão, arroz e farinha de mandióca. Isso é, quando  tínhamos. A fome era uma constante em nossas vidas.
Com o passar dos anos quando Márcia tinha 10 anos de idade e sua mãe não estava em casa, era ela quem cuidava de tudo. Era ela quem puxava a água do poço, para fazer a limpeza da casa, e dar banho nos pequenos...Beto, Carlos Vera e Naldo, que vida desgraçada era aquela! Além de passar fome, e trabalhar como se fosse uma adulta, ainda vivia apanhando. Mais um dia acabou.
Ah, um dia Marcia foi visitar sua família, e o progresso havia passado por lá. A Sabesp! Adeus poço!

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