
Minha mãe. Foi uma mulher que enquanto esteve viva sofreu. Acordava as seis da manhã, preparava o café dos filhos, e seguia para o trabalho. Tinha uma doença: Ùlcera Varicosa, e mesmo com as pernas em feridas, icansavelmente limpava e lavava uma casa de dez cômodos, e as vezes, quando sobrava tempo, passava roupas. Na volta para sua casa, entrava em um ônibus lotado, depois de um dia dificil, vinha espremida como sardinha em lata. Passava no mercado, e gastava todo o dinheiro do dia, em comida para os seus filhos, que a aguardavam ansiosos por um arroz com feijão. O marido, ébrio a esperava para jantar e já gritava:_ Onde tu tava muié? Isso é hora de uma mãe de famia chegar em casa? Onde tú tava vagabunda? Estava por aí dando pra teus machos? Severina chorava. A mulher passava o dia inteiro limpando e arrumando casa de rico. E, ao chegar em casa recebía as pauladas de Dedé. Para ela o marido era tudo, ela o amava, não comprendia o porquê de tanta agressividade. Chegava em casa cansada, com dor nas pernas, ao invés de sossego, o que recebia? Era o mal estar de Dedé. Bêbado e doente de ódio só prestava mesmo era para atormentar a pobre mulher.
Ela com lágrimas nos olhos respondia: _ Oh meu Deus! Eu estava trabaiando, fiquei o dia todo, lavando e passando, pra trazer dinheiro pra nóis, e tu fica desse jeito homi! E ele retrucava: Sei, tú, tava é por aí cum teus machos!
A pobre mulher só chorava, não adiantava responder nada pra aquele traste, se ela falasse muito seria pior, então a coitada, ficava quieta. E aí dela, se abrísse a boca! Ele investiria sobre ela em socos. Muitas vezes, ela era salva por alguma alma caridosa, que segurava Dedè pelos braços, e só assim ele parava.
Ela preparava o jantar e colocava os pratos feitos para todos o cinco filhos, dava sempre o primeiro prato pra ele. O Rei da Pinga. Depois de comer, muitas vezes ele chamava pra pegarem o prato vazio, se demorassem, jogava o prato no chão. Só, que não era todo dia assim, havia dias piores. Quando Severina fazia o prato dele com ovo, ele queria carne, e esbravejava: _ Quero carne! Quando a comida estava morna, jogava o prato no chão, e dizia que não era cachorro pra comer comida fria, na verdade ele sempre achava um jeito para dilacerar o coração deSeverina.
Quando alguém palpitava: Mulher, deixa esse homem! Se fosse comigo! E ela defendia coitado, ele é bom, quando não está bêbado! Tem meis que me dá todo o dinheiro!
Tia Anália muitas vezes era quem dava um auxílio para Severina. Levava frutas nos fins de semana e as crianças atacavam. E Anália dizia:
_ Mais mulher, o mês passado tu estava doente, e esse teu marido gastou todo o salário no bar! Porque, tú não larga esse homi, isso não serve pra nada, só sabe fazer filho, e batê em tú!
Severina gostava do marido e defendia o mau feitor. Ela só o abandonaria se ele morresse. E Dedè bebeu tanto que um dia ficou muito doente. Cirrose Hepática. Foi levado para o hospital, ficou sobre cuidados médicos, vloltou pra casa. Houve uma melhora não sei direito. Sei que me contaram que houve um dia em que foi para o hospital e não voltou, morreu, complicações pela pinga. Gostava tanto da pinga, que morreu por causa da mesma. Que destino!
O Enterro
No dia do que féretro saiu, todos os bêbados da região estavam lá. Era gente que não acabava mais. Alugaram ônibus para acompanhar o corpo de Dedé até o cimitério São Luís perto de Santo Amaro.
Ele tinha muitos amigos. Eram a grande maioria de pinguços. Essagente jamais sobe das atrocidades de Dedè.
Pra mim ele era um pobre doente, psiquiátrico que não teve cura.
Severina ficou como que enlouquecida no dia de seu enterro. Gritava que queria ir junto com ele. Foi um teatro! Morreu deixou sete filhos e uma viúva triste, que jamais se casaria novamente.
Foi tarde! Se tivesse ido antes teria feito maior bem a minha mãe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário