Caramba! Caí mais uma vez. E dessa vez foi um tombaço! Estava eu no quintal quando ouví a Ana chamando o Felipe: lipe! lipe!
Como ele não respondia, fiquei muito brava; entrei na sala como um furacão, e não vi o pé do meu filho, que estava na minha frente e me fez tropeçar, ou fui eu que tropecei devido não ter olhado. Ando muito estressada. Reclamo o tempo todo da bagunça que tem na minha casa, e na verdade é uma verdadeira bderna, tudo fora do lugar, minha casa ´um local apropriado para causar acidentes, eu já caí tres vezes dentro de casa. Tenho que tomar uma atitude. Andar mais devagar, diminuir o estresse, e ser mais tolerante, as vezes eu acho que sou muito calma, outras vezes, eu saio de mim.
Meus filhos esquecem que tenho artrite, e não fazem nada pra me ajudar. Tem dias que saio do trabalho um verdadeiro trapo humano, tamanho é o meu cansaço, e eles nem se movem pra me auxiliar. Horas acho que tenho que ir embora deixá-los para que vivam sozinhos. Tenho medo que eles sofram, mais não viverei para sempre; eu sei que um dia a vida que habita em mim se extinguira. Eu acredito que eles poderam ficar melhores sem mim.
Um dia me contaram uma história. Havia um monge e seu discípulo, que viajavam por muitos lugares, certa vez, passaram a noite por uma fazenda e viram uma imensa mata, caminharam mais ou menos uns trinta minutos e só viam mato, após muito esforço conseguiram chegar em uma casinha. Chamaram e de dentro da casa saiu um homem, que era a figura da pobreza. O monge perguntou do que eles viviam. E o homem disse: tenho uma vaquinha que dá muito leite. A gente tira o leite vende compra alguma coisa pra comer, quando acaba a gente bebe só o leite, e vai vivendo!
No dia seguinte o monge observou a imagem da preguiça naquele lugar. O homem ficava se balançando numa rede, a mulher observando e assim ficaram metade do dia. Na parte da tarde, a mulher cozinhou feijão e todos comeram com farinha e só. O dia passou e eles não fizeram nada mais do que isso.
E o monge disse pra seu discípulo: pegue a vaca e jogue no precipício!
O discipulo disse: mais mestre eles não têm como sobreviver sem a vaca! E o monge disse faça o que mando! E o discípulo jogou a vaca do precipício. Ja era bem de noitinha e todos dormiam, quando os dois se foram.
Muitos anos depois o mestre e o discípulo resolveram voltar para visitar a família; e qual não foi a surprêsa do discipulo ao ver que as terras já não pareciam as mesmas de outrora. Havia árvores frutíferas, a casa tinha um curral onde moravam as vacas, tinha estábulo onde havia cavalos e tudo parecia estar tão em perfeita ordem que o discípulo falou: mestre, o casal se mudou, devem ter vendido a propriedade!
Chamaram e da casa enorme saiu o casal. E qual não foi a surprêsa do discípulo ao constatar que eram o mesmo casal de tantos anos atrás que estavam alí na sua frente. O monge falou, vocês moram muito tempo por aqui? E o homem respondeu.
_ Moramos a muitos anos nessas bandas, tínhamos uma vaquinha, mais um dia encontramos morta, então eu disse pra mulher, vamos roçar esse mato, vamos plantar, senão, vamos é morrer de fome! Então com muito trabalho hoje estamos com essa belezura de chácara...
Eu acredito que eu sou a vaca. E o dia em que eu morrer meus filhos ficam ricos. Será que essa queda me leva, dessa pra melhor?
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