sábado, 16 de julho de 2011

Um Homem do Mal

E tive infância? Não me lembro de brincadeiras quando criança, não me lembro de dias felizes, não tenho recordações de festa de aniversário. Minha infância foi de fome, dor, tristeza, e muito choro. Eu tinha um padrasto que me odiava. Hoje eu acredito que quando ele olhava pra mim, pensava: essa menina é o homem que a minha mulher teve antes de mim. Só pode ser isso, porque nada difere  disso, nem  explica tanta maldade.
Quando nasceu o meu irmão José Roberto, as coisas ficaram piores para o meu lado. Ele dizia, que agora tinha seu filho. Eu parecia um cachorrinho, vivia triste, era difícil ganhar um carinho mesmo da minha mãe, que tinha os olhos o tempo todo voltado, para a criança e para o seu amor. O meu padrasto era etilista crônico, todos os dias, ingeria pinga pura, bebia até cair, e quando isso acontecia, saía do bar e seguia para casa, onde atormentava toda a família. Chegava em casa como se fosse UM Diabo, batia na minha mãe, e eu não podia fazer nada, se eu derrubasse uma tampa de panela no chão, um tabefe chegava na cabeça. Ele me espancava por qualquer coisa. Morávamos numa casa pequena, lá no Jardim Mírian. Tínhamos vários vizinhos, já que pra mim parecia um cortiço. Era uma confusão a minha casa, pois todas as vezes que meu padrasto chegava totalmente bêbado, começava uma briga, oras porque a comida estava quente, oras porque a comida estava fria, oras, porque não tinha carne, oras, porque tinha só ovo. Qualquer motivo, era motivo para o início de uma briga, ele queria confusão. E eu só chorava, as vezes ficava em um cantinho desejando a morte do infeliz.

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