A criança nasceu com anóxia, com baixo peso, e pela dificuldade para respirar, ficaria internada até melhorar. Recebia alimento por uma sonda e ficava em uma isolete (berço aquecido).
Todos os dias eu a visitava. Ficava com ela, conversava, dizia que eu seria uma boa mãe, para ela. Que compraria roupinhas, que iria comprar um bercinho, e que em breve iria pra casa comigo. Durante as minhas visitas briguei várias vezes com o pessoal da portaria. Muitas vezes me perguntavam o que eu era da criança, e eu respondia que era a tia. Então me falavam que eu não poderia visitar, que só a mãe podia subir, pois lá era uma UTI. Eu ficava possessa e gritava: como eu não poderia ver a minha sobrinha? Ela só tinha á mim! Vocês mataram a mãe dela! Nossa que forte, né! Más naquele momento eu estava triste, chorando, e vinham ainda me cutucar. O que queriam? Uma certa vez, pedi pra falar com a Assistente Social. Eu disse á ela que eles precisavam fazer as coisas direito, que assim, não poderia continuar, pois todas as vezes que eu ia visitar a minha sobrinha, era uma briga. Que eu trabalhava no Hospital das Clínicas, ficava 12 horas no plantão. Não podia ficar perdendo tempo com encrencas. Eles que resolvessem logo. Enfim fizeram uma autorização para que eu pudesse entrar, e acabaram os problemas. Agora eu ia todos os dias visitar a criança, e esperava que ela ganhasse peso logo, para eu tirá-la daquele lugar. Tive que obter uma autorização do pai da criança para levá-la comigo.
Ele era casado e tinha vontade de levar para a casa dele, más eu disse á ele que a minha irmã pediu em vida, para eu cuidar da filhinha dela, e que ele não iria levá-la. Ele concordou mais ou menos comigo.
Os dias foram passando e a criança, foi ganhando peso, ficando fortinha. Tiraram a sonda., porém ainda estava no oxigênio. Estava ficando lindinha. E eu cada vez mais apaixonada.
- Chegou o dia. Ela estava de alta. Quando entrei no hospital tudo era diferente. Agora eu já era á mãe da nenen. Só que na alta eu precisava da autorização do pai, para sair com a criança do hospital. Telefonei para ele e fiquei uma três horas esperando. Nossa, eu estava apavorada, com receio que ele não me deixasse levá-la comigo. E quando ele chegou e assinou á autorização, foi uma festa no meu coração.
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