Realmente agora morando na Bela Vista e Vila Olimpia, não tinha nenhuma vontade de ir ao Jardim Ângela. Bem esporadicamente, nos finais de semana eu partia para o bairro da minha mãe. Lá chegando brincava com os meus irmãos, conversava com minha mãe, e matava ás saudades das amigas. Tudo seria perfeito, se todos os meses eu não tivesse que dar todo o meu salário, para a minha mãe. Á vida na casa da minha mãe continuava difícil, meu padrasto continuava bebendo, e muito. Todos os meses era a mesma história. Minha mãe falava que não tinha feijão, não tinha arroz, e me pedia dinheiro. Eu pegava o salário do mês e ainda vivia de empréstimo com a minha patroa Dona Maria, ela era a minha verdadeira amiga. Me ensinava matemática, me ensinava a melhorar a oratória, e me dava diariamente lição de vida. Ela falava que a gente tem que ensinar a pescar, e não dar o peixe.
Eu só tinha roupas, porque a Maria Cristina dava. Maria Cristina era sobrinha da dona Maria. Dona Maria era esposa do senho José. O senhor José era filho da idosa a quem eu tomava conta. . A idosa que eu acompanhava era a dona Maximina, uma senhora bem magrinha, a quem eu acompanhava dia e noite, morei com essa família 14 anos de minha vida, fiquei uns 10 anos com a idosa e depois fui ser empregada na casa de Teresa, neta da dona Maximina.
Durante todo o tempo que passei na vila Carrão, todo o meu salário era pra ajudar na casa de minha mãe. Meu padrastro como sempre bebia muita pinga e não tinha emprego fixo, minha mãe era quem sustentava a casa e seus 8 filhos, e eu mandava todo o meu pequeno salário para ajudar minha mãe a terminar de criar os meus irmãos. Dona Maria e o Seu José eram os que me pagavam. Todos os meses, depois de receber o meu salário, eu ainda pedia mais emprestado, estava sempre devendo, minha dívida nunca chegava ao fim.
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