Estamos em 2004. Em fevereiro desse ano recebi a visita da minha irmã querida. Vera Lúcia, e os dois sobrinhos, Rafael e Jeferson. Ficaram quase uma semana na minha casa, na vila Santa Isabel. Minha irmã estava grávida, e estava passando por maus pedaços na casa de minha mãe. Me disse que a outra irmã, a caçula da família a estava maltratando muito. Me falou que queria ficar alguns dias em minha casa, queria pensar na vida, denotava uma tristeza no olhar. Durante sua estadia em minha casa fiz tudo para que ela ficasse melhor. Todos os dias caminhávamos, levávamos as crianças para passear na Praça Sampaio Vidal. Minha irmã estava com uma tristeza de dar dó, me disse que não sabia o que fazer com o Nenê que estava esprando e que a irmã havia dito que quando ela tivesse o nenê teria que arranjar um lugar pra ficar, que na casa de minha mãe ela não poderia ficar. e disse também ou a Vera ou ela. Isso ela me relatou aquele dia. Eu falei pra ela que tudo daria certo. Me pediu para fazer um frango pra ela comer, e me confidenciou que estava com muita vontade d comer o frango que só eu sabia fazer. Eu fiz com prazer o frango mais delicioso do mundo, e ela comeu feliz. Ficou quase uma semana comigo.
Estávamos indo ao mercado quando do nada ela me pediu:
_ Marcia, se acontecer aluma coisa de ruim comigo, você cuida de meu bebê! Sabe, eu sei que você cuida bem dos seus filhos! Eu confio que se eu vier a falecer você será uma boa mãe pra minha criança. Então eu lhe respondí.
_ Credo Vera, pára de falar bobagens! Você não vai morrer!
E ela insistiu:
Sabe Marcia, se você não quizer cuidar, pode dar pra Tia Anália que tem melhores condições de vida, mas eu prefiro que fique com você!
Daquele momento em diante eu saberia do fundo do meu coração, que se minha querida irmã falecesse eu iria dar a minha vida pela criança dela.
Dia 23 de março de 2004 as 17:00horas, a Paty veio me visitar e me falou que a minha irmã Vera estava muito mal, nquele hospital do capeta, o Regional Sul de Santo Amaro. Eu havia dito que visitaria ela no dia seguinte, pois como sempre, estava cansada por ter saido naquele dia do plantão.
Eis que o telefone toca e vóz que falava era de uma conhecida de minha mãe que nunca havia telefonado antes. E o meu coração de irmã já sentiu que era má notícia.
E comunicou que minha irmã Vera havia acabado de falecer. Meu chão caiu. Fiquei estranha. Não acreditei. Uma angustia muito grande tomou conta do meu ser. E nem pensei que em breve eu assumiria mais uma vez o papel de mãe.
Fui lá no Jardim Angela, fui conversar com os meus irmãos e mãe. Preparamos tudo e no dia seguinte foi o enterro de minha doce irmã.
Depois de tudo fui ao hospital para assumir a minha sobrinha querida que estava entre a vida e a morte na UTI neonatal. Desde a primeira vez que vi aquela vida, eu disse serás minha filha! Te amarei para sempre. Prometi a minha irmã que cuidaria de ti. Pode ficar tranquila! Minha irmã amou tanto sua filha, que mesmo sentindo que partiria, pensou em protegê-la, e não descuidou do cuidado de mãe. Mesmo sabendo que não estaria mais nessa terra, arrumou uma mãe em vida, pra quando partir, sua filha ficar abrigada com tanto amor quanto o que ela teria pra dar.
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